Monday, September 25, 2006

organismo H

A humanidade forma um grande organismo. Nenhum indivíduo pode fugir desta pertença.
A autenticidade de cada indivíduo é equivalente a autenticidade de cada célula, equivale a autenticidade de cada impulso, de cada pensamento, de cada parte de todo o ser. O organismo evolui numa direcção, parte dele sente remorso, parte dele sente glória, orgulho, etc. Eu sinto que o organismo Humanidade está a perder o espírito.


Se há algo que reflecte a alma do organismo Humanidade, isto é a arte que ele cria.
Eu vejo magia, vejo alma em toda a arte feita desde o paleolítico. Sem excepção. Em meados do sec.xx a magia adoece...e agora vejo-a morrendo, a nossa alma morre mesmo em frente aos meus olhos. Vejo-a pior com cada ano. Vejo a decadência espalhando-se, tomando conta. Vejo-me a viver a pura decadência da alma, sofro e luto comigo mesma. Sou absurda e triste.

Uma célula estúpida sonhando com um renascimento da Humanidade ainda antes da sua morte.


Penso muito na beleza do caos. Na aceitação desta miséria (afinal, pouco mais me resta). Penso que a confundi muitas vezes com a beleza que vejo na tristeza e nas cicatrizas feias de quem não aceita, e de quem aceita consciente. A beleza dos rejeitados.

Mas a verdade é que em criança sempre tive um absurdo pavor do esquecimento, desfiguração, decadência e morte.


PS: Hoje vi um anjo no comboio.





1 comment:

Laura Brown said...

Não sei se deveria dizer isto, mas acho que, em relação à arte, já não é dada a mesma importância que sempre teve. Agora quer-se progresso, inovação, saber. Descobriu-se a ciência. Talvez seja por isso. Mas eu acredito muito na arte. Olha para mim, perdida no meio das duas. Não a vejo apodrecer, vejo-a tomar outro rumo. Talvez daqui a alguns anos possamos compreendê-la como é agora.
Um anjo num comboio... para onde iria?

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